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quarta-feira, 7 de setembro de 2011

EM COMPANHIA DA SOLIDÃO (nossas piores inimigas)


...De repente paro,
acabo pensando um pouco demais, e meus pensamentos se tornam sombrios,
e é então que as duas me encontram.
Aproximam-se de mim,
silenciosas e ameaçadoras como detetives particulares, e me cercam,
a Depressão pela esquerda,
a Solidão pela direita.
Sequer precisam me mostrar seus distintivos.
Eu as conheço muito bem. 
Há anos que temos brincado de gato e rato.
 Pergunto a elas:
"como vocês me encontraram aqui?"
A Depressão, sempre bancando a esperta, diz:
"como assim, você não esta feliz em nos ver?"
 "vá embora", digo a ela.
A Solidão, a mais sensível das duas, diz:
"Desculpe, mas eu preciso segui-lo, é minha missão".
"Eu preferiria que você não fizesse isso",
digo-lhe, e ela dá de ombros, quase pedindo desculpas,
mas se aproximando ainda mais.
Então eles me revistam.
Esvaziam meus bolsos de qualquer alegria que eu estivesse carregando aqui.
A Depressão chega a confiscar minha identidade;
mas ela sempre faz isso.
Então a solidão começa a me interrogar, 
coisa que detesto, porque sempre dura horas.
Ela é educada, mas implacável, 
e sempre acaba me encurralando.
Pergunta se eu acho que tenho algum motivo para estar feliz.
Pergunta por que estou sozinho esta noite.
Pergunta onde acho que vou estar quando ficar velho,
se continuar vivendo assim.
Volto para casa, esperando me livrar delas, 
mas elas continuam a me seguir,
A Depressão me segura firme pelo ombro
e a solidão me bombardeia com seu interrogatório.
Sequer tenho forças para jantar;
não quero que elas fiquem me espionando.
"Não é justo vocês virem aqui", digo a Depressão.
Mas ela simplesmente me dá aquele sorriso sombrio,
acomoda-se em minha cadeira preferida e acende um charuto,
enchendo o aposento com sua fumaça desagradável.
A Solidão olha aquela cena e dá um suspiro,
em seguida deita-se na minha cama e se cobre com as cobertas,
inteiramente vestida, de sapato e tudo. 
Estou sentindo que vai me obrigar a dormir com ela 
de novo esta noite.


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